O PICC (do inglês Peripherally Inserted Central Catheter, ou Cateter Central de Inserção Periférica) é uma das tecnologias mais importantes e seguras disponíveis atualmente para a terapia intravenosa. Seu uso cresceu de forma expressiva nas últimas décadas, tornando-se um recurso essencial tanto em ambiente hospitalar quanto em home care e ambulatório.
Histórico e Reconhecimento Científico
O PICC foi descrito na literatura científica pela primeira vez em 1929 pelo médico alemão Werner Theodor Otto Forssmann. Seu trabalho pioneiro no acesso venoso central por via periférica foi reconhecido com o Prêmio Nobel de Medicina em 1956, consolidando essa abordagem como um marco na medicina vascular.
Nos últimos anos, a disseminação de novas tecnologias que melhoram a segurança da terapia intravenosa impulsionou ainda mais a produção e o uso do PICC em todo o mundo, incluindo o Brasil.
O Que é o PICC?
O PICC é um cateter longo que deve ser inserido em veia periférica (geralmente na fossa antecubital, veia basílica, cefálica ou braquial) e posicionado a nível central, ou seja, com a ponta na junção cavoatrial. Essa localização permite a infusão segura de medicamentos irritantes, vesicantes e hiperosmolares, que seriam prejudiciais às veias periféricas convencionais.
Competência Legal do Enfermeiro para Inserção do PICC
No Brasil, a competência técnica e legal do enfermeiro para inserir e manipular o PICC foi definida pelo Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) na Resolução n° 258/2001. Essa resolução assegura ao enfermeiro habilitado o direito e a responsabilidade de realizar esse procedimento com segurança e respaldo ético-profissional.
Composição e Tipos de PICC
Os PICCs são fabricados com materiais biocompatíveis e hemocompatíveis, sendo flexíveis e adaptáveis às condições clínicas do paciente. Estão disponíveis em dois principais materiais:
- Silicone: maior biocompatibilidade, indicado para uso prolongado e pacientes mais sensíveis;
- Poliuretano: maior resistência, facilidade de inserção e variedade de calibres.
Eles variam em tamanhos, diâmetros, calibres e número de lumens (simples, duplo ou triplo), devendo a escolha ser individualizada conforme a necessidade clínica do paciente.
Critérios para Indicação do PICC
A indicação e a escolha do PICC devem ser realizadas após avaliação criteriosa da equipe clínica multidisciplinar, considerando o tempo de uso do medicamento, o tipo de terapia e o estado clínico geral do paciente.
Principais Indicações Clínicas do PICC
As principais situações que justificam a escolha do PICC como dispositivo de acesso vascular são:
- Medicamentos de uso prolongado (terapia intravenosa por mais de seis dias);
- Antibioticoterapia endovenosa de longa duração, como no tratamento de infecções graves;
- Medicamentos irritantes e/ou vesicantes, que causam flebite ou necrose tecidual em veias periféricas;
- Drogas hiperosmolares, como glicose a 50% e Nutrição Parenteral Total (NPT);
- Administração de quimioterápicos, que exigem acesso venoso central seguro e duradouro;
- Pacientes em home care ou ambulatório que necessitam de terapia intravenosa prolongada fora do ambiente hospitalar;
- Monitorização hemodinâmica por meio da aferição de Pressão Venosa Central (PVC);
- Pacientes prematuros em unidade neonatal, onde o acesso venoso periférico convencional é tecnicamente limitado.
Por Que Escolher o PICC?
Comparado ao cateter venoso central convencional, o PICC apresenta menor risco de complicações graves durante a inserção (como pneumotórax e hemotórax), além de menor taxa de infecção relacionada ao cateter quando manejado corretamente. Sua inserção por enfermeiro habilitado torna o processo mais ágil e acessível.
Dominar as indicações, os cuidados e a técnica de inserção do PICC é uma competência altamente valorizada no mercado da enfermagem atual. Quer se especializar? Conheça os cursos de habilitação em PICC do Grupo Nobre Educação e dê o próximo passo na sua carreira profissional.


